📷 Imagem: Madagascar 3: os procurados (2012) / Divulgação.
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Começou como uma pequena chama. Senti corar minha pele quando vi um garoto cantando, risonho, ao me olhar:
— Ela é tão tudo! Tudo que eu queria é abraçar-beijar! Vou partir com ela pra Madagascar.
Ela podia estar só sucumbindo à música da moda, porque, né, nós não somos os preferidos das crianças. Mas, não vou ser hipócrita, já me vi desfilando nas areias de Madagascar, como nas histórias que mamãe contava. Ali, onde ela nasceu e cresceu, antes de ser levada para o Le cirque. Era o impulso que faltava para o meu hipocampo. Eu só precisava de um plano…
— Eureka! — Se eu mergulhar fundo na minha banheira quando o vigia da noite passar, ele vai estranhar minha ausência. Na pior das hipóteses, vai chamar um segurança. Daí, quando abrir o portão… ele chegou e interrompeu meus pensamentos, respirei fundo e submergi…
— Ué, cadê. Como? Mas, mas… — O vigia saiu portão afora gritando os seguranças.
Disparei pro hipódromo, que era vazio de noite. Sentia o vento nas orelhas, o sangue nas veias e o hipotálamo em êxtase! Era mitológico, como um hipogrifo em seu primeiro voo.
— Sim, a Hipólita! Isso, desapareceu! Rápido, ela nunca saiu daqui. Não sabe se virar.
Os seguranças, apressados, deixaram o portão no ângulo perfeito. Calculei a hipotenusa do trajeto, apenas mais dois minutinhos de corrida me separavam da liberdade.
— Eu não sei como desapareceu. A questão é que ela tem a saúde frágil. Será que teve uma hipotermia e se afogou? Como assim, impossível? Se algo acontecer, nunca vou me perdoar.
Parei um pouco além do portão, hipnotizada com aquelas palavras. Não sabia que ele tinha tanto afeto por mim. Seria hipocrisia dizer que não ficava vaidosa com seus cuidados.
— E se ela saiu, meu deus! Ela tem um problema na hipófise.
Sabia que não era hipocondríaca! Eu tinha mesmo um problema! Retenho líquido, até.
— Como não jantou, pode até ter uma hipoglicemia, ter uma convulsão por aí. Pode até morrer… Meu santinho Hipólito de Roma, faz com que eu encontre ela.
— Hip hip hip hip hiiiip! — só de ouvir falar em morte tive uma crise de soluço. Olhei para a rua escura, um hip hop tocando ao longe denunciava os perigos pululando em toda parte. Por Hipócrates, aqui não é tão mal. Não pago hipoteca. As plantas são hipoalergênicas. Toda água e comida é higienizada com hipoclorito de sódio. Voltei pé por pé.
— Hipólita! Você está aí! Que susto você me deu! Sabe que hora é? Hora da massagem com hipoglós! Isso mesmo! Quem é a hipopótamo boazinha? Hein? Hipólita, deusa do zoológico!
Não é tão fácil ter momentos de glória sem ter um Alex, um Marty e um Melman para fugir com você. Além de que ter casa, comida, roupa lavada e até massagem é bem oportuno e, no fundo, levanta a hipótese de que Madagascar seja hipervalorizada.
💡 Eureka: Hipopótamo escapa de zoológico, se decepciona com mundo real e volta após 2 minutos de liberdade…

